Estado Civil: Divorciada (separada também é fancy)!

Este é o tema do momento. Basta ir ao cabeleireiro e ler as revistas cor de rosa disponíveis. “Depois de se ter divorciado mantém o corpo em forma, é uma mãe dedicada e tem no seu anterior companheiro um grande amigo”. E a história repete-se página após página. E na vida real? Como é que a sociedade encara a mulher divorciada com filhos? As opiniões divergem, depende dos quadrantes! Ora vejamos:

– As amigas casadas acham que a divorciada não se esforçou o suficiente. Devia ter sido mais dedicada, deveria ter feito surpresas, alimentar a relação, pois sim! Ah é verdade! Foi a comunicação! O que falhou foi a comunicação! São queridas e bem se sabe que desejam o melhor para a sua amiga, mas no fundo pensam “vai ficar sozinha com os filhos! O melhor é guardar bem o meu marido, ela agora está gira e magra ainda me vai roubar o meu!”
– As amigas solteiras e sem filhos acham que a divorciada não viveu a vida. Têm assim aquele sentimento de que foram mais espertas e que agora (aos 40 anos) vão encontrar o amor da vida (rico de preferência) e vão ter filhos (com os óvulos previamente crioconservados aos 30).
– Os amigos! Pois… Os amigos da divorciada do tempo em que era casada deixaram de ser amigos porque, ou não existiam, ou eram amigos do marido, ou eram os maridos das amigas e, claro está, passaram a ter rédea curta! Os amigos de infância colocam “like” no facebook, desde que a divorciada começou a actualizar a foto de perfil com regularidade anormal. Os novos amigos, esses justificam um novo “bullet”.
– Os novos amigos! Podem ser uns queridos, mas a verdade é que associam a mulher divorciada a uma ideia que os move: mulher habituada a ter sexo regular e que de momento está sozinha. E não têm mãos a medir, dado o número de divorciadas! Tornam-se uns verdadeiros “Dom Juans”. Bom, quase! Também os há que só atendem o telefone depois das 24h e ao fim de semana, sobretudo ao domingo, têm o telefone desligado (para descansar e preparar a labuta da semana que se vai iniciar)! Mas vá, durante a semana estão todo o dia online no msn, no facebook e no tlm (aquele que depois das 19h está normalmente desligado)!
– Os pais, sobretudo o pai, acha que a filha teve azar! O magano deixou-lhe um filho! E agora? Como é que vai viver sem um homem? As filhas dos amigos é que tiveram sorte! Casaram bem, com homens trabalhadores, que têm carros com pinta (se for da empresa, melhor) e até vão de férias para as Caraíbas no verão.
Pois bem. Neste jogo do que se pensa, também é verdade que a mulher divorciada olha os casais na perspectiva de quem já esteve casado. A mulher divorciada é uma mulher que conhece os seus limites, que sabe que é capaz de resolver sozinha e de se resolver a si. Não tenham pena! A mulher divorciada pode ter o carro velho, a casa alugada, não comprar roupa, mas sabe que tudo o que tem resultou do seu esforço. Sente-se feliz por isso, sobretudo quando associado está o amor incondicional aos filhos e a serenidade que esse amor contempla! Agosto é o mês das famílias. As famílias (algumas) sem conteúdo. Aqueles casais que têm mais dívidas do que diálogos. Os casais que se desrespeitam em frente dos filhos, mas que por eles continuam casados. E sabem que mais: A probabilidade de uma relação dar errado é muito maior do que dar certo. A maior parte das pessoas sente falta de um porto de abrigo! Mas quando no porto de abrigo existe verdade, tenho por certo que a vontade de lá permanecer é muito maior!

16 responses to “Estado Civil: Divorciada (separada também é fancy)!

  1. Este foi o segundo texto que li no teu blogue. Gosto do que escreves.

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  2. Obrigada Manuel. Farei por merecer o tempo que dedica(ou) a ler o que escrevo. Paula

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  3. gostei, obrigada pela visão simplista e crua das coisas. E raro encontrar alguem assim…pelo menos nos “meus” ultimos tempos

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    • Olá Marta. Obrigada pelo seu comentário. Escrevi esse post em Agosto, o mês das famílias. Por muito que se diga continuo a sentir o preconceito em relação às mulheres que estão sozinhas e com filhos. Às vezes dá vontade de abanar algumas pessoas para que olhem para as suas próprias vidas.

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  4. Um preconceito muito antigo, mas com tendência a desaparecer. Cada vez há mais divórcios, com isto não quer dizer que os antigos fossem mais felizes (como dizem os antigos), provavelmente era o contrário em muitas situações. O divórcio é uma realidade normal nos dias de hoje. Pelo menos no meu ponto de vista.

    Nas gerações anteriores, era muito normal o homem querer, que a mulher ficasse em casa a tratar dos filhos e da lida doméstica. O homem tratava de trabalhar, nem que fosse em dois empregos, “mulher a trabalhar é que não, mulher é para ficar em casa”, diziam eles.

    As mulheres ingenuamente acabavam por aceitar, esquecendo que se estavam colocar numa situação de total dependência do seu cônjuge. Com o passar do tempo, eles sentiam-se no poder para abusar. As mulheres acabavam, a grande maioria por ter que aceitar.

    Ora nos dias presentes isso não já não acontece, pelo menos com tanta frequência. A mulher tornou-se mais independente, mais segura de si, não se deixando cair na dependência do homem. Nos dias correntes, o homem já trata da casa, já prepara as refeições para a família, faz tudo o que os do passado não fariam. O homem que não ajudar, com as lidas diárias, é certo que mais cedo ou mais tarde vai ter as malas a porta de casa e para piorar a fechadura de mesma trocada.

    Uma resposta um pouco longa e talvez sem sentido 🙂 Isto para dizer que é preciso ser-se muito retrograda para olhar de lado para um divórcio. E como dizes, e bem, uma relação tem mais probabilidade de correr mal do que correr bem. Há é muita gente a viver com uma capa imaginária de felicidade, no fundo, vivem contrariados.

    Cumprimentos,
    Ricardo Vieira.

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  5. Pingback: E quando se recebe a mensagem: “ler o que escreves estimula-me”? | agora digo eu

  6. É complicado…
    Depois, tudo é hipótese para o sucedido.

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  7. Olá Paula,
    adorei o seu artigo sobre “Estado Civil: divorciada”! Finalmente alguém escreve o que eu sinto exactamente…..uma mulher divorciada ao pé das outras mulheres e homens ainda parece 1 bicho sete cabeças quando na realidade apenas queremos levar a nossa vida em diante, refazendo de novo tudo o que foi perdido!! Um bem haja e continue com essa boa disposição 😉
    Obrigada Cristina

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  8. É bem verdade que o ser divorciado/a, em especial quando se é pai/mãe separado/a “desenvolve” abre espaço a um conjunto de “julgamentos” externos. Mas talvez mais importante do que os “julgamentos” externos, importa reflectir sobre os “julgamentos” internos. Como nos vemos quando estamos separados/divorciados/sem uma relação? O que somos quando não estamos em relação? Qual o peso dos “julgamentos” externos quando estamos separados? Provavelmente uma relação e uma separação abrem um conjunto de conflitos que mesmo diferentes, nos remetem para a necessidade de nos questionarmos sobre nós próprios. Que papel é esse de ser marido/mulher? Que tarefas e responsabilidades abarca? O que espero do outro/a? O que é que o outro/a espera de mim? Como é isto de ser um em dois? Que papel é esse de ser de novo solteiro e solteira? Como me vou reerguer depois de uma tempestade? Como volto a ser um depois de tanto tempo a ser dois? Acredito que a forma como vivemos em relação ou a forma como nos vivemos separados, estão ligadas a forma como estamos “construídos”. Se tivermos como valores da nossa existência, coisas como: direito não saber, aprender, recomeçar, reconstruir, magoar, ser magoado, perdoar (em especial a nós próprios), paciência (em especial a nós próprios), querer crescer, ser melhor, amor próprio e sentido de vida, talvez consigamos ter a flexibilidade necessária para seguir em frente de uma forma mais consciente e mais imunes aos “julgamentos” externos e em especial aos internos.

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  9. Pingback: Hoje escrevo sobre eles. Porque também existem homens divorciados. E a vida deles, após o divórcio, nem sempre é simples… | agora digo eu

  10. Oi Paula! Sou Renata e setou me sentindo um bicho de sete cabeças quando alguém me pergunta o meu estado civil….rsrsrs. Cada uma que temos que ouvir e além de julgamentos precipitados dessa sociedade medíocre. Adorei o seu texto! Também fiz um blog para colocar para fora de alguma forma, pois dá vontade de falar muita coisa na cara de muita gente, Melhor escrever. Depois dá uma olhada lá:
    http://metamorfoseados.wordpress.com/
    Bjus no seu coração!

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  11. Pingback: Ups… | agora digo eu

  12. Que site legal, vamos fazer parcerias – vou colocar um link desse conteúdo em meu site – posso? Grande abraço e continue com ótimos textos, vamos postar no http://divorcioemcartorio.com.br/
    Grande abraço, Jeferson Santos – Especialista em Divórcio: http://advogadodivorciocartorio.com.br e também o http://separacaoedivorcioonline.com.br

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  13. Eu sou uma das tantas mulheres que teve coragem de largar a má vida que tinha casada para que meus filhos vivessem felizes só comigo com o amor e atenção que mereciam…. meus filhos nunca sentiram a falta do pai com a separação … eu soube fazer o papel de mãe e pai…. 😔gostei do que li obrigada.

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  14. Eu sou uma das tantas mulheres que teve coragem de largar a má vida que tinha casada para que meus filhos vivessem felizes só comigo com o amor e atenção que mereciam…. meus filhos nunca sentiram a falta do pai com a separação … eu soube fazer o papel de mãe e pai…. 😔gostei do que li obrigada.

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  15. Gostei muito do seu post. Sou divorciada há um ano e sinto todo esse preconceito.. Muito triste mesmo.. De repente você perde o valor só porque não tem um homem do lado?? Absurdo!

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